
Edna Tralli tem 45 anos, é psicóloga, casada e mãe de 2 meninas e 1 menino. É natural de São Paulo e mora em São José dos Campos há 22 anos, desde que se casou com José Angelo. Essa mulher batalhadora passou por uma grande provação há três anos e compartilha com as leitoras da Revista Tok Dez Beleza e Saúde todas as suas angústias, aflições, medos, inseguranças e também conquistas, vitórias e amor incondicional.
“Há três anos fiz meus exames de rotina com o ginecologista e tudo estava bem. Um mês depois, meu marido encontrou um caroço no meu seio e me alertou. Como meus exames estavam em dia, não me alarmei, mas mesmo assim voltei ao ginecologista.
Os resultados foram satisfatórios, mas era de praxe que o nódulo fosse retirado. Agendei o procedimento sem causar preocupação em casa e no trabalho.
Quando acordei e olhei ao meu redor, lá estavam pessoas que eu estimo muito e isso me assustou. Meu marido, minha chefee um mastologista amigo da família estavam lá. Naquele
momento fui informada de que estava com câncer de mama e que a indicação era a mastectomia. Meu mundo desabou! O médico me perguntou o que eu queria fazer, esperar ou já fazer a retirada da mama. Na hora eu não sabia o que responder e apenas disse que confiava neles. Decidimos em conjunto que eu não voltaria para a mesa de cirurgia, mas que consultaria cirurgiões plásticos para entender melhor como seria a reconstrução. Isso aconteceu
no dia do aniversário de 15 anos da minha filha mais velha. Marquei a retirada e a reconstrução para o sábado da mesma semana. Essa espera foi muito difícil. Não tinha medo de morrer, mas me preocupava com meu marido e meus três filhos. Pensava diariamente: “como ele vai levar a vida com três crianças?” Minha cirurgia demorou 10 horas,pois a reconstrução é trabalhosa. Tudo correu bem. Não posso reclamar, pois não tive dores. Fiz centenas de exames e cada resultado era tenso, pois eles diagnosticariamse o câncer estava em outros órgãos. Meus pais vieram de Santos e ficaram na minha casa por seis meses. Cuidaram dos meus filhos da maneira mais sublime que alguém possa imaginar. Feitos os exames, veio a indicação do tratamento: quimioterapia e radioterapia. Meu mundo caiu de novo. A primeira coisa que vem na cabeça é a quedados cabelos e os efeitos colaterais.Cumpri com todas as recomendações médicas desde o começo, confiei em todos os profissionais. O próprio médico me deu um endereçoem São Paulo onde são comercializadas perucas de excelente qualidade. E lá fomos nós, eu, meu marido e a minha melhor amiga Beth. Quando encontramos a peruca ideal foi muito divertido. Não posso deixar de citar a minha cabeleireira Sílvia que me deu o maior apoio. Minha primeira sessão de quimio foi tranqüila,mas os dias que a antecederam foram terríveis, pois eu estava com muito medo. Mas, graças a Deus, encontrei profissionais maravilhosos no IOV. Foram recomendadas 8 sessões, seriam 2 por mês. Para passar por essa fase sem muito sofrimento, quando chegava em casa, após as sessões comemorava com minha família, pois pensávamos em quantas faltavam e nas superações. Não passei mal e trabalhei durante o tratamento. Minha chefe na época era a Marina, ex-secretária da saúde, ela me ajudou muito.
O último dia em que chorei por conta do câncer, foi quando cortei o cabelo. Fomos ao salão da Sílvia, eu, meu marido e a Raquel (nome carinhosamente dado à peruca). A Sílvia
me deu muito carinho neste dia, teve uma generosidadeinquestionável. Chorei e gritei nessa hora. Foi muito doloroso. Na hora que acabou, respirei fundo, olhei no espelho e comecei a rir. Achei que ficou ótimo.Depois desse dia, tudo ficou tranqüilo. No último mês do tratamento fiz quimio e radio junto, então me senti cansada, mas tudo ao meu redor estava ótimo. Enfim, lembro desse período da minha vida como um momento difícil mas bendigo e abençôo essa passagempor tê-la vencido sem problemas maiores. Deus está em primeiro lugar e isso era o que estava reservadopra mim. Agradeci por ser só isso, pois podia ter sido muito pior. Meus filhos, meu marido, meus pais, meus irmãos, meus amigos ficaram ao meu lado. Minha
filha mais velha, Luíza, foi a que mais sofreu, pois já entendia o que estava acontecendo. Gabriel, o do meio, tirou de letra, afinal já havia convivido com o câncer na escola quando seu melhor amigo superou a doença. Agora, a Laura, que na época estava com três anos foi um grande aprendizado pra mim. Ela absorvia a situação, mas não entendia. Fomos vivenciando
essa fase com brincadeiras. Bom, finalizo com três palavras: Deus, amor e tecnologia”.
